28.8.07

"No meu princípio está o meu fim. Em sucessão "



Abrigo-me de toda a calma
Rugem trovões de passividade lá fora
Mas aqui, neste meu aqui
Penso nos pomares que outrora me abrigaram e abrigo-me nestas memórias petrificadas
Recortes escuros esvoaçam no silêncio vegetal; Maçãs escorregam das suas casas num súbito desejo de adrenalina, partindo todos os ossos na queda; Sulcos crepitam, cheios de água, enquanto as rãs saúdam novos ciclos.


Volto a mim
Ao meu aqui
Lá fora, a tempestade ataca com nova vaga de calmaria
Sepultado no meu abrigo suplico
A todos os deuses E panteões E demónios E dragões
Que me abriguem

O meu sangue borbulha como mil explosões, infantil no seu terror
Fecho novamente os olhos, tentando trazer de volta os campos do outrora

Em vez disso, as pedras coradas pesam sobre mim. A luz toca as minhas mãos, afagando as pontas dos meus dedos.

Levanto-me

Reina o silêncio do caos.

"A aurora aponta, e outro dia se dispõe ao calor e ao silêncio. Para lá do mar o vento do amanhecer enrola-se e desliza. Eu estou aqui, ou ali, ou noutra parte. No meu princípio. "



Made in Barcelona


Photo by Mines Oliveira

2.8.07

"Of course it is happening inside your head, but why on earth should that mean that it is not real?"

11.7.07

Breve e Atrasado Comentáriozinho sobre as Novas Maravilhas do Mundo


1º - Portugal voltou a provar que tem potencial, ao estar á altura num acontecimento pelo menos um pouco importante. Só é pena que só sejamos bons nestas coisas internacionais, tipo Expo98 e Euro2004 e New7Wonders. Se calhar é por terem números no nome. Devíamos passar a ter eventos diferentes a nível nacional, tipo Referendo2Aborto07, fica muito mais catchy.

2º - O Cristo Rei não é uma maravilha. De forma alguma. A não ser que seja o de Almada. Esse sim, é maravilhoso. Se houvesse Internet no Mali, ou no Cambodja...

27.6.07


"Quando me sentarei ao sol
Despido
Líquen vivendo


Da inclinação dos ramos?"

Daniel Faria



TALVEZ

Talvez seja eu. Talvez não. Decisões são algo cada vez mais difícil de tomar, cada vez mais propensas a evasões por quem as deveria tomar. Talvez seja uma das razões da decadência da sociedade actual. Ou talvez uma consequência. Ou talvez ambas.

O facto é triste - cada vez mais tomamos menos decisões, e quando as tomamos favorecem os NOSSOS (exclusivamente) interesses - talvez devêssemos ter evoluído de forma a passar a pensar globalmente, já que agora fazemos tudo globalmente.

Se em tempos caçávamos para a pequena comunidade de que fazíamos parte [também pensando, claro, na nossa subsistência individual] , evoluindo até ir para a guerra pela glória do país a que pertencíamos [também pensando na glória, ou saque, ou no "bem" que estaríamos a fazer como indivíduo], talvez agora as nossas decisões se devessem basear mais na noção de globalidade que deveríamos ter. Não estou a dizer que devemos negligenciar os interesses particulares e subjectivos para dar lugar a uma geração de pessoas que vivem para agradar aos outros. Considero tal visão completamente suicida. Mas, no entanto, acho que devíamos ter mais em consideração o impacto das nossas [cada vez menos] decisões na vida dos outros.

Por exemplo, um médico, ao ser confrontado com a hipótese de trabalhar nalgum remoto país assolado por guerras civis, deverá por em primeiro lugar o imapcto que a sua vida AÍ nas populações locais, do que o impacto que se faria sentir no AQUI, com saudades por parte da família ou amigos, e talvez algumas mudanças de rotina para estes, e um possível abandono de uma maneira de viver.

Mas talvez estes sejam apenas casos raros. Talvez esta capacidade de pôr as necessidades do MUNDO à frente das nossas seja de tal forma rara [e apreciada], que os que a têm são especiais, e como tal revestem-se de um brilhinho de heróis. E enquanto esta vivência heróica for reconhecida como uma raridade, vamos continuar sem tomar decisões, esperando que eles resolvam todos os problemas e questionínculas. Enquanto não percebermos que também conseguimos ser heróis, que também conseguimos brilhar, olharemos para uma maioria absolutamente ataráxica, e como massa acrítica que nos tornámos, cruzaremos os braços. Ou então, mudamos um pouco, e viramos heróis.

Só é preciso tomar uma decisão. . .