13.11.10

Libertação de Aung San Suu Kyi

"Há sete anos que não podia andar livremente pelas ruas de Rangum. Nem sair de casa, ou receber visitas. Não tinha telefone nem Internet. Ainda assim, Aung San Suu Kyi não deixou de ser o rosto mais conhecido da resistência birmanesa. Não foi por acaso que só ficou em liberdade uma semana depois das primeiras eleições em 20 anos.

Aung San Suu Kyi avisou: o isolamento chegou mesmo ao fim e vai comunicar com jovens de todo o mundo através do Twitter. A Nobel da Paz passou 15 dos últimos 21 anos detida e as redes sociais não faziam parte das suas rotinas porque praticamente qualquer contacto com o exterior lhe estava negado.

Sabe-se que durante este tempo acordava às quatro da manhã para rezar, às vezes durante horas, e que depois ligava os seus cinco rádios, a única ponte com o mundo. De resto, lia em birmanês e inglês livros de filosofia, biografias, romances. Melhorou o seu francês e japonês. Tocava Bach no piano. "

in Público on-line

ontem falava-se de já ter velhice ao ponto de poder dizer "há quinze anos eu fiz...". Esta senhora passou quinze presa. Credo.

1.11.10

A mim agrada-me a ideia de os mortos vaguearem por aqui durante uma noite

18.10.10

Diálogo



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Ainda há magia no ar?
Não, já nada puxa as folhas ao chão do Outono, já nada filtra a luz do Sol Nascente, já nada abre os ovos aos girinos no pântano.
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Por aqui caem as nuvens, sobre ti e sobre mim. Um dia matar-te-ão como a mim já o fizeram, um dia chorar-te-ão como a mim tão poucos o fazem.
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Já perdi a conta aos sabores que conheço e já não distingo os agradáveis dos odores. Pelo tacto já passou tanto que já pouca ou nenhuma diferença faz. A chuva vem consolar-me, esfregar-se em meu ombro, apagar o rubor das bochechas: vem tentar o que o Sol não consegue e o Vento nem tenta, mas vem desmaterializar-se a cada instante em que creio e julgo finalmente tê-la.
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Magia no ar? Há, há sim. Empurrarei cada folha, pintarei de Outono cada estrada, darei um nome a cada sapo que fizer nascer. A ti continuará a chover-te em cima. Sou eu, eu a estar contigo, húmidos como deveríamos estar, chafurdando em parvoíces. Eu vou-te diluir o sal das lágrimas e lavar a mente da dor da sinapse.



Labuta diária, peso nas mãos, vento na cara, tufão à frente. Tempestade, árvores, folhas, nuvens, gatos vadios a bufar para o ar. E eu sinto a água na cara, vejo-a a voar para mim, sinto o seu cheiro de berço novo, acolho-a na minha pele! À minha volta o fim do mundo parece real, mas chovem-se-me os lábios numa gargalhada aos elementos e corro como um puto pra saltar na poça mais próxima.

Rir-te-ei como ninguém o faz.

15.10.10

Pensei

hoje pensei (provavelmente já o pensaram antes, provavelmente imensos, provavelmente estou a plagiar, mas fodam-se os outros que hoje fui eu que pensei).

e pensei que:

é fodido que para que as coisas más acabem

o cosmos nos cobre alto

e as coisas boas também tenham que acabar.

Básico. e Vil.

e não pensei mais o dia inteiro.
mas aconteceram coisas boas. medo?

9.10.10

Breve Epifania da Tarde

Que dia glorioso, religioso!

A ser celebrado num feriado obrigatório em todo o Mundo dos Homens, que tudo pare para celebrar este dia, e que se celebre a liberdade na queda de uma chuva, uma só gota de chuva, e que uns dirão ser uma lágrima jorrada pelo que morreu e outros jurarão ver o sangue da luta, a outros será a visão do suor da jornada, e os ingénuos, os felizes, verão o predigoto do riso, chovendo aos milhões com o sol por trás, filtrando um Arco-Íris enquanto o Céu se desmancha em gargalhadas.

Glorious, Glorious Day.