27.6.10

Stripgenerator.com

acho que é a minha obra prima! hoje dei por mim entre gincancas virtuais (bem sucedidas, btw!) a surfar a web e lembrar-me desta breve fase da minha persona artística, nos tempos em que um certo xicotodobom me mostrou esta cena...e claro, logo a seguir veio o maddogmoreira. Vamos todos voltar a fazer bd por favor! (e a quem ler isto, adira e faça tb :D )

7.6.10

Bloggivismo


O Activista dentro de mim - o "rebelde sem causa" que de vez em quando apadrinha uma - tem andado hiperactivo ultimamente. O que despoletou esta surge de activismo? Zion!

É sabido que Israel é um país casmurro, daqueles que faz o que bem lhe apetece porque o lobby judeu nos States é um factor a ter muito em conta à eleição de qualquer presidente. É sabido que tem das Forças Armadas mais avançadas do planeta, devido aquele hábito fixe de mandarem toda a gente com mais de 18 anos (por gente leia-se "Cidadão Israelita Não-Árabe") para a tropa durante 3 anos, misturado com o apoio dos já falados States, sempre gananciosos de votos. Esta hipermilitarização zionista levou-os a inúmeros conflitos com os vizinhos árabes, logo desde o 1º dia de independência, e desde aí que Israel se esforçou tanto pela paz que a lista de tópicos da Wikipedia para " Arab-Israeli conflict" é dos maiores que já vi. E eu sou um Wikifan.


Entre diários do Mundial e PECs, é inevitável ouvir, ver ou ler nas notícias sobre a última novidade nas tácticas de guerra israelitas. Pelo menos nove activistas morreram a bordo do Mavi Marmara quando os israelitas se defenderam da frota humanitária a que a embarcação pertencia, e que carregava para Gaza materiais médicos e de construção. Dado que apenas um dos mortos não era turco (tinha nacionalidade americana, mas ascendência turca), foi da Turquia que surgiram os maiores protestos, que se espalharam sem dificuldade por todo o mundo Árabe, para quem cada calinada diplomática israelita serve apenas de desculpa para alimentar um pouco mais o anti-semitismo que propagandeiam.

Uma coisa que me chamou a atenção no Público de um destes dias foi a coragem daquela que é a primeira mulher árabe israelita eleita para o Knesset (o equivalente israelita à Assembleia da República) ia a bordo do Mavi Marmara. Dois dias depois da abordagem à frota humanitária, Haneen Zoubi dirigiu-se ao Knesset exigindo que o governo fizesse uma investigação exaustiva ao ataque, já que os soldados tinham ordens para confiscar todo o material dos jornalistas que se encontravam a bordo, e perguntando por que se opunha tanto o governo de Israel a uma investigação imparcial internacional. Vai mais longe, dizendo que "Era claro pelo número de soldados que abordaram o barco que o objectivo era não só parar a frota, mas também causar o maior número de mortes para dissuadir iniciativas semelhantes no futuro.". Claro que no Knesset não foi bem recebida. Mas isto, digo eu, passa os limites de um estado democrático:



Ya, a senhora é uma traidora, a senhora é uma terrorista e a senhora tem uma faca (esta última acusação acho deliciosa, pelo amor da santa!). Chocante mesmo é haver um grupo no facebook advogando a execução de Haneen Zoubi. No Knesset houve quem quisesse tirar-lhe a nacionalidade israelita e julgá-la por traição. No meio disto tudo, uma multa, prisão domiciliária durante uns dias e mês e meio sem poder sair do país parece pouco. Mas, mesmo assim, a MK Zoubi não deixa de dar um banho a Israel. É que mesmo assumindo a versão israelita da história (frota terrorista, ia a Gaza para fornecer material que ia ser usado para fabricar armas, os soldados foram parar a armada e foram terrivelmente atacados pelos bárbaros humanitários, e curiosamente não morreu um único soldado mas vá-se lá saber porquê morreram dez activistas, e vá-se lá saber porquê há imagens da violência contra os soldados mas nenhuma da violência contra os activistas)(eu não compro esta versão, acho que se percebe pelo sarcasmo), ao não permitirem uma investigação imparcial os israelitas estão automaticamente a colocar-se numa posição de inferioridade em que é completamente legítimo assumir que estão a fugir ao que tal investigação pudesse descobrir. Além disso (digo eu), é um tiro no pé diplomático. Obama é um presidente mais consciente, apesar de ter de lidar com um derrame que lhe dá algum espaço de manobra para se desmarcar. Mas, mesmo assim, a UE está aqui ao pé, e alguns dos barcos da frota tinham bandeira europeia (nomeadamente dois gregos, um dos quais acabou por voltar para trás creio, por problemas técnicos, e um barco operado pelo braço irlandês do Free Gaza Movement), fora uma quantidade de cidadãos da União, nomeadamente suecos, britânicos, irlandeses e alemães (deputados alemães, portanto no big deal). Uma afronta a tamanho mix-UE esfria necessariamente as relações com os 27, o drama humanitário tem repercussões nalguns países (não por cá, é um facto, que a nós passa-nos tudo ao lado, mas lá no Norte andava tudo a manifestar-se), e o grandioso tiro no pé é que as vítimas mortais são todas turcas, o que significa que a Turquia, grande lambe-botas-de-Bruxelas que também tem a sua dose de abusos humanitários, tem aqui uma oportunidade de andar em terreno comum com a União, aproximando-se um pouco mais, e afastando ainda mais Tel-Aviv, tudo isto enquanto ganha pontos no mundo Árabe, com o seu presidente Erdogan (que de vez em quando aparece nas manchetes internacionais, ora porque prometeu re-permitir a burqa, ora porque afinal não dá, ora porque está a bater em Curdos, ora porque está a fazer uma moeda esteticamente igual ao euro) a ponderar cortar todos os laços com Israel, e avisando-os em turco, inglês e hebreu, para não deixar dúvidas: "I'll say [it] again. I say in English 'you shall not kill'. Did you still not understand? So I'll say to you in your own language. I say in Hebrew 'Lo Tirtzakh' ".

Por toda a Europa multiplicam-se reacções: na Noruega, uma sondagem aponta que 43% da população apoia ou já está a praticar um boicote total a Israel; os Suecos já cancelaram um jogo de qualificação para o mundial sub-21, e a União de Trabalhadores Navais impôs um boicote às embarcações israelitas; no Reino Unido os manifestantes bloquearam a Whitehall ao protestarem em frente à Downing Street; por toda a Irlanda surgiram manifestações populares contestando o ataque, culminando no bloqueio da embaixada israelita em Dublin, que fechou as portas durante um dia. Até em Israel se protestou contra o ataque. Entretanto, os Klaxons (ainda bem que gosto deles!), os Gorillaz e os Pixies cancelaram as suas actuações num festival em Tel-Aviv como resposta à abordagem da frota humanitária. [Isto tudo e muito mais está na Wikipédia, confirmado com um bocadinho de pesquisa extra]

Agora, esperam-se desenvolvimentos. O que este bloggivista extremamente amador gostaria de ver era os israelitas humilhados, que estão a precisar. Acima de tudo, que não repitam. Gostaria que a Haneen Zoubi fosse revogada a pena, e que os israelitas deixassem de ser o inimigo número um do povo judeu (é, já não os vejo como sinónimos). E, por favor, que não matem mais activistas. Yup, sou naif, não vai acontecer.











Desde já gostaria de expressar os meus pêsames pelas vítimas do Mari Marmara e solidariedade para com todos os tripulantes da Frota de Gaza, em particular para com Haneen Zoubi.